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Pedido de ajuda do Acre a haitianos é manchete desta segunda-feira na Agência Brasil

Roberto Gaz by Roberto Gaz
02/01/2012
in Destaque esquerdo
0
Pedido de ajuda do Acre a haitianos é manchete desta segunda-feira na Agência Brasil

A Agência Brasil, uma das maiores agências de notícias do País, destaca nesta segunda-feira (02) o insistente pedido de ajuda humanitária que o Estado do Acre tem feito para que o Governo Federal assuma a responsabilidade com esses estrangeiros.

 

 

Leia:

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O município de Brasiléia, no Acre, vive hoje uma situação caótica e sem qualquer condição de dar o mínimo de assistência aos refugiados haitianos que chegam todos os dias à cidade de 30 mil habitantes, onde 15 mil residem na área urbana. O “caos está instalado”, disse o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, em entrevista à Agência Brasil. Segundo ele, além do que já fez, o governo estadual não tem mais condições de dar qualquer assistência aos 1.250 haitianos que estão na cidade.

Para o secretário, a tendência é esse número aumentar. “Hoje, em Brasiléia, temos 1.250 haitianos, e estão chegando mais. Não se tem controle sobre a situação. Agora, imagine um número desses em uma cidade que tem 30 mil habitantes.”

Mourão disse que o Acre chegou ao limite financeiro de gastos e necessita de apoio imediato do governo federal que, segundo ele, não tem dado a assistência necessária para resolver o problema. De acordo com o secretário, desde o ano passado, o estado vem requerendo ao governo federal apoio financeiro e ajuda de pessoal especializado. Ele informou que, até o momento, o governo do Acre recebeu apenas 14 toneladas de alimentos doadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Desde o início do problema [chegada dos refugiados], estamos fazendo apelos ao governo federal e não conseguimos nada. Já chegamos ao nosso limite. Só a Secretaria de Justiça já gastou R$ 1,04 milhão com assistência aos haitianos em Brasiléia”, disse Nilson Mourão. As autoridades acreanas defendem que o governo federal assuma todas as despesas com logística e que a Polícia Federal acelere o processo de legalização do passaporte dos haitianos para que eles possam seguir viagem para outros destinos.

Conforme o secretário, os principais problemas enfrentados pelo governo na assistência aos haitianos são o fornecimento de alimentos e abrigo, além da triagem de saúde e da vacinação dos refugiados. De acordo com Mourão, dos 1.250 haitianos que estão na cidade, só 260 estão com a documentação regularizada e em condições de seguir viagem. No entanto, o governo do estado não tem mais condições de bancar a passagem dos que pretendem ir para outras cidades.

O secretário ressaltou que o governo do estado não tem pessoal qualificado para fazer a triagem da saúde dos haitianos que entram no Brasil por Brasiléia, trabalho que vem sendo conduzido precariamente por soldados do Corpo de Bombeiros.

O pároco da Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Brasiléia, Rupe Crispim da Silva, confirmou as dificuldades enfrentadas pelos haitianos na questão da saúde, o que também implica riscos para os moradores da cidade. Ele teme que a falta de triagem de saúde e vacinação dos haitianos ponha em risco a própria população de Brasiléia. “É uma questão de saúde. Precisamos avaliar a saúde deles e vaciná-los contra febre amarela e hepatite, por exemplo, porque muitos chegam pela mata que faz fronteira com a Bolívia.”

De acordo com o padre Rupe, a prefeitura não tem condição de dar assistência aos haitianos. Ele informou que o hospital da cidade também não comporta os refugiados que precisam de assistência médica. Segundo ele, o governo do Acre tem abrigado parte dessas pessoas nas pousadas e hotéis de Brasiléia que estão superlotadas.

Os refugiados que têm mais condições financeiras dividem o aluguel de casas. “Mesmo assim, não temos espaço, nem condições para abrigar a todos”, ressaltou o padre. Ele disse que as igrejas da cidade têm pouca condição financeira para ajudar os imigrantes e destinam o que arrecadam à compra de leite e de alimentos para as crianças. “Fazemos o que podemos, mas a situação é desumana mesmo”, afirmou o padre.

Edição: Nádia Franco

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