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Por falta de segurança, crime organizado toma conta de cemitérios da Capital

Antônio Malvadeza by Antônio Malvadeza
30/04/2022
in Cotidiano, Notícias
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Por falta de segurança, crime organizado toma conta de cemitérios da Capital

Um grupo bem organizado que planeja cuidadosamente toda a ação, vem dominando todos os cemitérios da capital, onde muitos dos servidores estão dispostos a deixar o emprego com medo do grande risco que correm, inclusive de serem assassinados.

O principal alvo é o cemitério de São João Batista, o principal e mais antigo da cidade. No local, centenas de túmulos já foram visitados pelos ladrões, inclusive de famílias tradicionais da época da fundação do cemitério.

O coordenador de cemitérios da Prefeitura Municipal de Rio Branco, Marcos de Souza, o “Marcos Coveiro”, disse que o problema é muito grave, especialmente a falta de segurança em todos os cemitérios da capital. Ele culpa a polícia pela ação dos bandidos.

“Já fiz vários boletins de ocorrências nas delegacias e nada foi feito. Infelizmente, nossa segurança pública é falha. Tem que haver uma fiscalização nos sucatões e pegar os ladrões. Já pegamos alguns deles no flagra e entregamos à polícia, mas logo foram liberados.

O alvo preferido dos ladrões que furtam objetos dos cemitérios da capital são as placas de bronze e cobre, metais valiosos no mercado clandestino dos sucatões e de pessoas que trabalham com os metais. O número de furtos é tão grande que pouca gente vem colocando placas com fotos ou mesmo de identificação nos túmulos de familiares falecidos. Com isso a queda nesse setor é de quase 90%.

“Há mais de dois meses não vendo uma única placa”, disse o artesão Manoel Carlos de Almeida, que trabalha na confecção de produtos para túmulos.

O grupo que age nos cemitérios é tão organizado que pesquisam os itens a serem furtados. Como placas de cobre e bronze estão difíceis, estão levando vasos em porcelana, estátuas e imagens antigas e valiosas, além de flores. Até túmulos já foram violados para a retirada especialmente de joias.

Para os dois casos, o Código Penal Brasileiro é generoso, especialmente para os que violam catacumbas para subtrair objetos. Os itens que ficam dentro dos túmulos são considerados abandonados pela família e quem os subtrai responde por crime de violação de túmulo, que segundo o artigo 210 é punido com uma pena que varia de 1 a 3 anos de prisão. Quem furta os objetos que estão do lado de fora do túmulo é penalizado de acordo com o artigo 155 do CP.

Ainda de acordo com Marcos Coveiro, os ladrões de cemitérios são ousados e muitos ameaçam desde os braçais à administração. Muitas das pessoas que trabalham no período noturno já estão dispostas a abandonar o cargo.

“Eu mesmo já fui ameaçado várias vezes e o mesmo ocorre com os administradores. É necessário que as forças de segurança tomem uma providência, antes que ocorra uma tragédia”, concluiu o coordenador.

Apesar de não existir um número real, acredita-se que mais de 50% dos túmulos de cemitérios públicos da capital tenham sido visitados pelos ladrões, que nos últimos anos agem de maneira organizada. O furto de cobre e bronze é difícil de descobrir, já que depois que as peças são derretidas a principal prova do delito desaparece.

“Geralmente que furta aqui são usuários de droga, no entanto, por trás deles estão os verdadeiros interessados em repassar o material à frente. Esses sim, são perigosos”, relatou um servidor do cemitério São João Batista, que por motivo óbvio não foi identificado.

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