“Sem interesse público, isenção jornalística e ética, não há jornalismo”. A afirmação é do jornalista Heródoto Barbeiro durante palestra ministrada nesta sexta-feira (12), na semana alusiva ao aniversário do MP brasileiro, celebrado no dia 14 de dezembro. O evento foi prestigiado por jornalistas, juristas, universitários e servidores do Ministério Público do Estado do Acre, no auditório da Secretaria da Fazenda (Sefaz).
O código de ética do jornalismo é tido, segundo Heródoto Barbeiro, como singular e abstrato. Ele explica que, embora todas as profissões tenham seu código de ética fundamentado em um documento escrito, o código de ética do jornalismo é fundamentalmente consuetudinário, pois perpassa pelos costumes de uma sociedade, e não por um processo formal de criação de leis.
“O código de ética de médicos e advogados, por exemplo, são estabelecidos em lei e tem um código escrito. O do jornalismo não é escrito. Acreditamos nele, praticamos, mas não é único, porque a ética jornalística não só está historicamente condicionada, mas pode ter visões diferentes”, explica ao enfatizar que não existe pena no código de ética jornalístico.
Quebra de paradigmas
A crise nas plataformas tradicionais de jornais, revistas, rádios e televisão e a quebra de paradigmas também foi abordada por Heródoto Barbeiro. Fazendo contextualizações com a reinvenção da imprensa com a advento da prensa de Gutemberg, na Alemanha, há 500 anos, o palestrante discorreu sobre mudanças no poder de negócio e no ecossistema jornalístico.
“O acesso ao conhecimento, por meio da acessibilidade ao conhecimento com as impressões de Gutember, quebrou paradigmas. E isso não tem volta. A história mostra isso”, argumenta.
Ele explica que o paradigma da plataforma de tinta e papel foi quebrado quando o sistema antigo de disseminação de conhecimento (lisuras, inscrições à mão) foi enviado para museus e o conhecimento, restrito a poucas pessoas, se estendeu à sociedade em geral.
“Essa quebra de paradigma motivou as grandes revoluções que aconteceram nos sec XV e XVI. O conhecimento se tornou acessível”.
Heródoto defende a tese de que, em nossos dias, o paradigma está sendo novamente quebrado com o advento da internet e as novas tecnologias.
“Eu tenho convicção que o jornal de tinta e papel, a revista, a rádio e a televisão, a mídia de uma forma geral, como a conhecemos hoje, vai acabar”, diz o jornalista, referindo-se à substituição da plataforma de tinta e papel pela plataforma de bits e bytes, e não ao fim do jornalismo escrito.
Redes Sociais
Sobre as redes sociais ele não acredita que elas representem o fim do jornalismo. “Informar é diferente de noticiar. Informação depende de fatos. Já a notícia, além dos fatos, precisa ser de interesse público e isenção de princípios pessoais, tudo isso fundamentado na ética”.
Formação de opinião
Quanto à mídia enquanto formadora de opinião, ele destaca: “A imprensa tem cada vez menos força na formação de opinião”. E finaliza: “O jornalista não existe para fazer a cabeça de ninguém. Quando isso acontece, ele perde sua ética e, consequentemente, deixa de ser jornalista”.
Para o procurador-geral de Justiça Oswaldo D’ Albuquerque, adquirir conhecimentos sobre comunicação e ética é sempre enriquecedor. “A imprensa é uma parceira do MP para mostrar nosso serviço à sociedade, mas, sobretudo, para nos fazer criticas que aperfeiçoem nosso trabalho, nosso atendimento ao cidadão, nossa função. Então conhecer melhor o trabalho deles nos torna melhores”.
Heródoto Barbeiro, assim como o diretor de relações institucionais, Sérgio Maciel, participam, nesta sexta-feira à noite, da festa de premiação do 5º Prêmio de Jornalismo do MPAC, no Afa Jardim.
