O rei chegou e já mandou tocar os sinos na cidade inteira. É pra cantar os hinos, hastear bandeiras. E eu que sou menino muito obediente estava indiferente, logo me comovo pra ficar contente porque é Ano Novo. (Chico Buarque)
ROBERTO FERES*
Enfim um novo ano com cara de ano novo. 2019 começa mudando tudo. Governador, Presidente, ideologia e expectativas. Este 1º de janeiro coroa um ciclo que teve origem nas mobilizações de 2013, exigiu o impeachment da Dilma e elegeu Bolsonaro.
Explicar isso é trabalho para pesquisadores do futuro. Agora é o presente ainda que nos importa e temos o desafio de consertar um país quebrado pela corrupção e decisões políticas desastrosas.
No Acre, onde o novo presidente teve sua melhor votação, o eleitor exigiu mudança completa também localmente. 20 anos de poder do mesmo grupo foi tempo suficiente para receber de um Cameli o estado falido, gozar tempos de bonança e entregá-lo falido a outro Cameli da geração seguinte.
Também por aqui temos o desafio de consertar um estado quebrado por decisões políticas desastrosas.
Se em 1998 havia grupos de extermínio cuidando de nossa Segurança Pública, hoje facções criminosas se digladiam na rua na disputa do território que habitamos.
Se tínhamos problemas graves nas áreas de educação, saúde e saneamento, hoje temos uma população 50% maior sofrendo das mesmas agruras.
O estado se agigantou. Há uma secretaria para cada programa de governo, cada qual com um séquito de comissionados indicados politicamente. Porém os resultados só se deram na elevação dos tributos, receitas e despesas. Não na qualidade dos serviços e da vida da população em geral.
Gladson, afinado com o discurso de Bolsonaro, acena para um forte enxugamento da máquina pública e o foco num programa de governo mais objetivo e melhor coordenado. E em medidas que tornem a atividade produtiva menos dependente da tutela estatal.
Enfrentaremos dificuldades nesse início de ano. Começa com a energia elétrica 20% mais cara e muita gente com salários e 13º por receber. Os números mais otimistas mostram que mais de 60 milhões de reais ficaram para a conta da próxima administração, somente em dívidas do setor público.
É tão notório o caos que herda do Sebastião Viana, que Gladson não terá a desculpa do desconhecimento.
Como dizem os analistas da área, a lua de mel do novo governador com o eleitorado tem prazo de validade e o número mágico é de 100 dias. Isso permite chegar ao próximo verão mostrando resultados.
O ano começa novo, com muita coisa velha para consertar. A hora é de arregaçar as mangas e conter o mimimi. Porque mudanças a gente sempre quer, desde que não sejam em nossa zona de conforto.
*Roberto Feres é engenheiro civil pela Universidade Federal de São Carlos, mestrado em Engenharia Urbana pela Universidade Federal de São Carlos (1998) e doutorado em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (2002). É Perito Criminal da Polícia Federal. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Mapeamento Geotécnico.