A ex-prefeita e atual secretária de Educação, Cultura e Esportes (SEE), Socorro Neri, comentou em entrevista ao Boa Conversa no ac24horas, na noite desta quarta-feira, 7, a situação do transporte coletivo da capital e saiu em defesa do atual prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom.
No ano passado, a então prefeita Socorro Neri (PSB) enviou um PL que destinava R$ 2,4 milhões as empresas de transporte coletivo devido à crise causada pela Covid-19, mas acabou arquivado.
Neste ano, o prefeito Tião Bocalom (Progressistas) enviou um PL com uma nova “roupagem”, em relação ao transporte coletivo, mas que foi recusado. No entanto, o gestor deverá enviar outro PL nos próximos dias à Câmara de Rio Branco, que prevê a redução da tarifa de R$ 4,00 para R$ 3,50, com subsídios mensais.
O PL vem suscitando debates na Câmara de Rio Branco mesmo antes de ser enviado. De um lado, existem vereadores favoráveis à proposta, no entanto, há outros que afirmam que o PL trata apenas de repassar dinheiro às empresas do transporte coletivo.
Na entrevista, Neri afirmou que a situação do transporte coletivo exige um debate honesto envolvendo toda a sociedade civil. Segundo a ex-gestora, mesmo antes de assumir a cadeira, o sistema já estava deficitário e que a pandemia da Covid-19 levou o sistema ao colapso.
“O problema central é que quem vem financiando o transporte público é o usuário que tem pago a tarifa cheia, ou seja, os R$ 4,00. Nessa tarifa estão embutidos, os 50% dos estudantes, gratuidades de legislação federal, municipal e dentre outras. Essa questão do transporte vem bem antes da minha gestão, mas foi intensificada pela pandemia”, afirmou.
Ao ser questionada sobre a existência de uma “caixa preta”, a ex-prefeita afirmou que nunca viu indícios de existência de qualquer caixa. “Eu nunca tive assim nenhum indício de que há uma caixa preta no transporte coletivo”, afirmou.
Em seguida, a ex-prefeita se negou a fazer críticas em relação aos PLs enviados pelo atual prefeito à Câmara de Vereadores e afirmou que o transporte público merece um debate limpo e honesto.
“Eu não vou hoje aqui fazer discurso para criticar ninguém. De fato, esse problema do transporte público é sério que precisa ter uma avaliação séria. Não adianta fazer esse discurso que vai dar dinheiro para as empresas. O fato é que os dados e as estatísticas mostram que quando se olha a questão da receita/despesa do transporte público há um déficit muito grande. Ao invés de crucificar o prefeito, na minha opinião, nós precisamos fazer um debate como sociedade e com os nossos representantes um debate mais qualificado sobre esse tema”, argumentou.